Ficha Técnica

Batman: Último Cavaleiro da Terra 3 capa
Capa de: Greg Capullo

Batman: Último Cavaleiro da Terra 3
Autores: Scott Snyder (roteiro) e Greg Capullo (arte)
Preço:R$ 11,90
Editora: Panini / DC (Black Label)
Publicação: Maio / 2020
Número de páginas: 56
Tradução: Érico Assis
Formato:   18,5×27,5 cm / Colorido / Lombada quadrada / Capa cartão
Gênero: Super-heróis
Sinopse: Em uma Gotham reconstruída, Ômega reina absoluto e o momento de sua glória final se aproxima. Mas o Batman tem um plano, entretanto será o suficiente para vencer a sua contraparte maligna e libertar a cidade, seus antigos aliados e a humanidade?

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Entrada

Scott Snyder passou um longo tempo junto ao Cavaleiro das Trevas. Conduziu o personagem durante todos os Novos 52, introduziu novos elementos a sua mitologia e escreveu grandes crossovers que modificaram a estrutura da DC. E mesmo não sendo uma unanimidade (acho que pode ser algo com o sobrenome), não podemos dizer que o quadrinista não possui um grande entendimento sobre o Homem-Morcego. E Batman: Último Cavaleiro da Terra 3 vem para finalizar esta carta de amor do quadrinista ao Cruzado Encapuzado.

Agora se é uma boa carta, aí temos toda uma discussão. A começar pelo hermetismo da obra que a torna dependente da compreensão de referências, easter eggs e algumas ideias já trabalhadas pelo autor anteriormente. Por isso, reforço que a obra ganharia e muito com um posfácio que explicasse algumas das passagens. 

Arte de: Greg Capullo

Entretanto, neste terceiro volume o roteirista traça uma série de paralelos que deixam bem claro a sua intenção. E o que vemos é o autor trabalhando uma das características primordiais do herói: sua elasticidade. Pois como diz o crítico Glen Weldon em A Cruzada Mascarada: Batman e o nascimento da cultura nerd:

Não existe uma única imagem que defina Batman, pois qualquer imagem é pequena demais para conter as camadas de significados, muitas vezes contraditórios, que vemos nele. Desde sua primeira aparição, projetamos em Batman nossos temores, nossos receios, nossos imperativos morais, e nele vemos o queremos ver. 

Aliada a essa característica, a capacidade de identificação com o personagem se baseia, como diz Weldon em outra parte de seu livro, na forma como ele lida com a sua tragédia. Para os fãs, o Detetive das Sombras é e sempre será aquele que se reergue. Lembrando aos outros que não importa o que houve sempre haverá uma forma de se levantar. Daí a criação de Bill Finger e Bob Kane ser um símbolo de esperança e não necessariamente da vingança.

E Snyder entende isso. E muito bem. Afinal de contas Noites de Trevas: Metal foi uma saga criada em torno deste conceito e que retoma com ainda mais força aqui em Batman: Último Cavaleiro da Terra 3. Mas como que ele trabalha esses elementos? Sendo o mais explícito possível. 

Batman – A disputa por um símbolo

Acelerando a trama, o quadrinista parece querer deixar tudo às claras. Tanto que boa parte do início da HQ é sobre como velhos símbolos podem ser restaurados ao seu conceito original. Não à toa a HQ começa com um flashback com o desfecho do caso do garoto encontrado no beco no qual Gordon professa um discurso sobre o tema.

E deixando tudo ainda mais evidente, o discurso que inicialmente está se referindo ao bat-sinal termina com um idoso, e cego, comissário tateando o rosto do recriado Cavaleiro das Trevas. Mais óbvio do que isso, só dois disso. 

Mas não é somente Gordon que evocá está discussão. O próprio jovem Batman terá a oportunidade de se aprofundar no tema ao debater sobre o tema com a resistência de Gotham – a Corte das Corujas.

Composta pelos remanescentes da batfamília Dick Grayson, Barbara Gordon, Duke Thomas, Bryce (filha do Asa Noturna e da Batgirl), Jim Gordon e um punhado de soldados. Libertos por Tim Drake graças a um contra-sinal criado pelo antigo Robin Vermelho. 

Nesta reunião de antigos aliados, o que vemos é um embate entre os calejados combatentes que, derrotados mais uma vez pretendem viver nas sombras, e o jovem Batman que os impele a lutarem mais uma vez. Entretanto, a velocidade do roteiro torna o que era para ser um tratado sobre o significado do Cruzado Encapuzado dentro e fora do universo DC se torna uma miscelânea de cenas e falas que vão se atropelando.

Arte de: Greg Capullo

O que acaba reforçando uma das críticas mais comuns quanto ao seu trabalho: o roteirista começa bem, se atrapalha no meio e termina mal. Em outras palavras, o argumento é bom, mas o desenvolvimento deixa a desejar.  

Este problema se conectando com outro: a grande quantidade de ideias abordadas na HQ. As referências continuam lá, os easter eggs também, mas neste caldeirão efervescente o principal vai se perdendo e a HQ sofre com uma falta de fôlego para avolumar o clímax da grande batalha entre Ômega e Batman. E nem a grande reviravolta faz com que quem lê se espante ou vibre, já que a previsibilidade da trama acaba sendo a sua grande inimiga.

Batman: Último Cavaleiro da Terra – Easter Eggs

Mesmo em seu último volume, a trama não poupa menções a passagem de Snyder frente ao personagem. Principalmente ao arco Fim de Jogo, ato que fica bastante claro após um monólogo do Coringa sobre o caso do garoto encontrado no crime do beco. 

Em determinada parte da HQ vemos a cadeira de Mobius, que agora modificada por Ômega serve para corromper e controlar a mente de seus inimigos. A cadeira faz  referência aos eventos finais dos Novos 52 com a saga A Guerra de Darkseid quando Batman senta-se na cadeira de Mobius até então ocupada por Metron. Além disso vemos uma corruptela da armadura utilizada por Jim Gordon no arco Superpesado

Galeria de Vilões

Mas o que mais impressiona em relação neste terceiro volume é a extensa galeria de personagens da mitologia do Morcego que ou dão as caras ou são mencionados. Que são:

  • Tim Drake (o Robin Vermelho);
  • Jason Tood (o Capuz Vermelho);
  • Kate Kane (a Batwoman);
  • Cassandra Cain (a Batgirl);
  • Damian Wayne (o Robin);
  • Mulher-Gato;
  • Chapeleiro Louco;
  • Professor Porco
  • Ventríloquo;
  • Charada;
  • Arlequina;
  • Crocodilo;
  • Senhor Frio;
  • Cara de Barro;
  • Duas Caras;
  • Bane;
  • Espantalho;
  • Pinguim;
  • Silêncio;
  • KGBesta;
  • Victor Zsasz;
  • Onomatopeia (a confirmar).

E como vocês podem perceber a lista vai desde os mais famosos até alguns bem obscuros. O que mostra que Snyder fez e bem o seu para casa.

Alfa e Ômega ou do Último Cavaleiro da Terra

Ao final da minissérie Snyder entrega algo como um eterno retorno. Um evento descrito pelo crítico Glen Weldon como um ciclo, que ocorre de trinta em trinta anos, no qual o personagem vai das trevas às luzes. Ora pendendo para algo mais sombrio, taciturno, hipermasculinizado e violento, ora pendendo para algo idealístico, amigável, esperançoso e altruísta. 

Arte de: Greg Capullo

Claro que há uma infinitude de temas entre esses dois extremos, mas é exatamente isso que o roteirista busca questionar na minissérie: qual Batman queremos? E consequentemente que tipo de mundo queremos viver. Contudo, a mensagem final da minissérie é a de que não importa as mudanças, as quedas e derrotas que o Cruzado Encapuzado sofra o seu destino é retornar a sua forma original: um cavaleiro disposto a lutar para que outros não sofram o que ele sofreu e inspirar aqueles que estão perdidos. 

Entendido isso, o título da minissérie ganha outros ares e entendemos o porquê dela ser a última história do Batman, pois o que se vê é um recomeço. Uma lufada de esperança capaz de trazer novamente o símbolo da justiça a Terra. Mesmo que o final faça você se perguntar: “o que raios acabou de acontecer aqui?”. 

Concluindo, Batman: Último Cavaleiro da Terra 3 encerra a trama de Snyder e Capullo de forma não muito majestosa e peca em vários momentos. Por isso, assim como aconteceu com o trabalho de seu xará dos cinemas, o resultado final divide opiniões. Porém para mim não foi dessa vez. 

Nota: 2 de 5.

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Autor: Thiago de Oliveira

Há mais de duas décadas lendo e colecionando quadrinhos. Tem mais da metade do que gostaria e menos do dobro do que queria ter. Não dispensa um pão de queijo, um café e uma cerveja.

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