Ficha Técnica

Capitão Feio - Identidade capa | De Segunda
Capa de: Marcelo Costa

Capitão Feio – Identidade
Autores: Magno Costa (roteiro) e Marcelo Costa (arte)
Preço: R$ 26,90
Editora: Panini / Mauricio de Souza Produções
Publicação: Agosto / 2017
Número de páginas: 100
Formato: (19 cm x 26 cm) Colorida / Lombada Quadrada / Capa brochura
Gênero: Juvenil

Sinopse: Um pária, sem nome e sem passado, busca refúgio nos lixões e nos esgotos da cidade. Um homem poderoso com um dom incompreensível que o colocará em choque com aqueles que o cercam. Uma releitura que nos coloca no centro do surgimento do principal vilão da Turma da Mônica.

Entrada

Arte de: Marcelo Costa

Capitão Feio – Identidade dos gêmeos Magno e Marcelo Costa é o décimo sexto título do já consagrado selo Graphic MSP da Maurício de Souza Produções. Publicada em 2017, a HQ trata de recontar as origens do vilão, mas girando o caleidoscópio narrativo e colocando os eventos sob a sua perspectiva. Garantindo assim um mergulho nas motivações e caminhos que o levaram a se tornar esta grande ameaça ao bairro do Limoeiro.

Mas o que vemos na leitura da HQ é que Feio não é um vilão como nos conhecemos. Diferente dos vilões que estamos acostumados e que justificam seus atos por uma escalada de poder, fama, dinheiro ou que só querem ver o circo pegar fogo, Feio está em busca de paz. Paz para pensar e entender a real extensão de seus poderes, buscando dar vida aos objetos até então inutilizados e descartados pela sociedade. Algo como um um Diógenes de Sinope, antigo filósofo da Grécia antiga, que tinha como princípio a autossuficiência e total desprezo pelas instituições e opiniões públicas. 

Não à toa os problemas de Feio começam justamente ao ser exposto ao público em uma série de situações ambivalentes e que vão pouco a pouco pintando o personagem uma figura agressiva, temida, suja e que deve ser combatida a todo custo. 

A cidade como vilã

E é interessante notar, como que os autores utilizam a reintegração do personagem a cidade em seu processo de vilanização, pois Feio não é uma pessoa ruim ou com tendências vis. Tanto que durante a sua jornada há espaço para ações heroicas e egoístas, assim como momentos trágicos, tristes, de euforia e até mesmo de esperança. Muito da trama é pensada justamente para dar a profundidade necessária ao personagem, de forma a vermos nele uma pessoa comum que como tantas outras, transita em uma área muito mais cinzenta do que certos julgamentos morais nos fazem crer.

Arte de: Marcelo Costa

Outro ponto alto do roteiro dos irmãos foi colocar a própria cidade como a grande inimiga de Feio. É quase como se estivéssemos vendo uma releitura de Warriors – Os selvagens da Noite numa versão reduzida, já que o personagem deve cruzar o território urbano para chegar ao seu porto seguro. E está travessia não é somente física, mas também de entendimento de quem ele é, do funcionamento de seus poderes (que incluem voo, resistência sobre-humana, rajadas e nuvens de sujeira, lixocinese e criação de construtos de lixo) e principalmente de quem ele irá se tornar. 

Ainda em relação ao roteiro, seu ritmo é veloz e uma vez que você adentra na trama ela vai exponencialmente aumentando sua velocidade a medida em que as páginas vão passando. Tanto que alguns easter eggs podem passar batidos em uma primeira leitura, então fica aqui o meu aviso para você passar os olhos atentamente pelas páginas. E isso não é nem difícil, já que a arte do Marcelo Costa em Capitão Feio – Identidade é extasiante. 

A arte do desenhista na HQ é sucinta, o que se reflete na utilização de vários espaços em brancos que destacam os personagens e os seus sentimentos. Principalmente os de Feio que parece fervilhar em vários momentos da história e com isso exprimir toda a frustração, raiva e desesperança do personagem. E eu falei que mais para o final da trama o desenhista ainda nos brinda com algumas splash pages de cair o queixo.

Conclusão

Para concluirmos, Capitão Feio – Identidade é uma boa releitura do personagem do Maurício de Souza, conseguindo trazer novas camadas ao mais famoso vilão do bairro do Limoeiro. Além disso, os autores também faz uma segunda releitura de um outro vilão do Cascão – o Doutor Olimpo, aqui chamado de Senhor Olimpo, e que abre um interessantíssimo gancho para o desenvolvimento de uma rivalidade entre eles.

No mais, a HQ é um bom divertimento e uma leitura descompromissada perfeita para passar alguns momentos alheio aos acontecimentos a volta. 

Nota: 3 de 5

 

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Autor: Thiago de Oliveira

Há mais de duas décadas lendo e colecionando quadrinhos. Tem mais da metade do que gostaria e menos do dobro do que queria ter. Não dispensa um pão de queijo, um café e uma cerveja.

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