Ficha Técnica

Batman: Os Três Coringas vol 2
Capa de: Jason Fabok

Batman: Os Três Coringas vol 2
Autores: Geoff Johns (roteiro), Jason Fabok (desenhos) e Brad Anderson (cores)
Tradução e Adaptação: Rodrigo Oliveira (tradução) e Pedro Catarino (adaptação)
Letras: Wesley Souza
Preço: R$ 14,90
Editora: DC Comics / Panini
Publicação: Abril / 2021
Número de páginas: 48
Formato: (17X26 cm) Colorida / Lombada Quadrada / Capa brochura
Gênero: Super-heróis
Sinopse: Enquanto Batman e Batgirl seguem pistas que ligam os três Coringas a um antigo conhecido do Batman, Capuz Vermelho se vê sozinho em um pesadelo lutando pela própria sobrevivência. 

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Notas sobre Batman: Os Três Coringas vol 2

Geoff Johns percorreu um longo caminho dentro da DC Comics e vê-lo conseguir amarrar algumas de suas antigas pontas soltas é gratificante. E após um final incendiário no primeiro volume, o roteirista nos leva para paragens mais profundas em Batman: Os Três Coringas vol 2.

Explanando mais uma vez o seu amplo conhecimento, o roteirista continua a esquadrinhar os clássicos do Cavaleiro das Trevas, e se antes havia alguma dúvida quanto a quem Johns estava referenciando neste segundo volume, as cartas são finalmente postas à mesa. Mas antes, vamos falar de alguns outros pontos importantes da HQ. 

Primeiramente, a arte de Jason Fabok continua a alcançar novos picos e as cores de Brad Anderson fazem com que as cenas vibrem e que você sinta a tensão dos personagens. E muito do clima de terror, que impera da segunda metade para frente da HQ, é graças ao trabalho da dupla que vende sequências arrebatadoras, tais como o diálogo entre o Capuz Vermelho e o Coringa Criminoso ou o confronto do Batman e da Batgirl num dos esconderijos dos Coringas. 

Arte de: Jason Fabok

Além disso, os dois continuam a dar um show na individualização de cada Coringa. Os detalhes das roupas, das expressões faciais, dos maneirismos é algo que continua a impressionar, pois ao mesmo tempo em que conseguimos distinguir os diferentes palhaços do crime, há algo que os une deixando aquela dúvida: quem é o original? Outro ponto a ser destacado é como Fabok emula o traço de Brian Bolland para compor o Coringa Comediante, o que por sua vez não é um mero detalhe visual ou homenagem, mas sim ponto crucial para se entender a trama. 

Digo isso, já que fica cada vez mais claro que Johns está criando, de certo modo, uma continuação do clássico oitentista do Cavaleiro das Trevas, revitalizando o ponto central da HQ escrita por Alan Moore.

Batman: Os Três Coringas vol 2 e a Piada Mortal

Em Batman: A Piada Mortal, a narrativa gira em torno da teoria do Arlequim do ódio de que basta um dia ruim para alguém tombar em direção à loucura. E para provar o seu ponto faz com que o Comissário Gordon passe por uma via crucis que começa com sua filha Barbara, a Batgirl, sendo baleada e culmina em uma longa tortura física e menta através das mãos do vilão.

E o que vemos em Batman: Os Três Coringas vol 2 é um simulacro do trabalho de Moore, já que tanto a sua temática quanto a sua estrutura são revisitadas. Temos o mistério sobre a origem do Coringa, o trabalho detetivesco dos heróis para encontrá-lo, um novo evento para tornar louco um dos personagens e um clímax arrebatador no final. Contudo, isso é tanto o ponto forte quanto o ponto fraco da HQ. 

Johns é prodigioso ao trabalhar as consequências do assassinato do Coringa Palhaço pelas mãos de Jason Todd no final do primeiro volume. A discussão entre uma aguerrida Batgirl, e seu forte senso de justiça, e um amargurado Batman, que não se perdoa com o que houve com seu antigo pupilo, é ótima. Principalmente por essa sequência ser intercalada com violentas cenas do Capuz Vermelho.

Aliás, toda essa discussão serve para demonstrar as tensões existentes no grupo e o tortuoso caminho que Jason Todd está percorrendo na minissérie. E é com Todd, que Johns retorna ao mote de que basta um empurrãozinho para que alguém abrace a loucura e faz com que ele reviva a tortura sofrida nas mãos do Coringa. Ecoando assim o papel do Comissário Gordon em A Piada Mortal, e também criando uma impactante cena entre Bruce, Barbara e Jason. 

Mas este não é o único reflexo da obra de Moore. A própria abertura deste segundo volume e a sequência da prisão em Black Gate são exemplos de como Johns e sua equipe seguem as pegadas do Mago de Northampton e de Brian Bolland.

Arte de: Jason Fabok

Quem são os Três Coringas?

Porém, se Batman: Os Três Coringas vol 2 escancara as intenções da minissérie em se lançar como uma continuação da clássica graphic novel, ela acaba se afastando de sua questão principal. E aqui, os Coringas são quase como coadjuvantes naquela que deveria ser a sua peça principal, sem contar que é ela quem deveria amarrar anos de planejamento do roteirista. 

Tudo isso gera dúvidas sobre como a minissérie irá terminar e se ela terá tempo para responder às inúmeras perguntas quanto a origem dos vilões. Por exemplo, por que dos três Coringas? Uma vez que a história se direcionou em torno do Capuz Vermelho lutando contra a sua dor e posteriormente do Batman com a introdução de Joe Chill na história.

Mas talvez o foco da história não seja exatamente os arlequins do ódio, mas sim os traumas dos heróis sendo revisitados. Fica aí a dúvida para o terceiro e último volume. 

E a Batgirl?

No review do primeiro volume falei sobre a minha preocupação quanto a representação da personagem na minissérie. Nesta segunda parte, Barbara continua a se mostrar como o baluarte da batfamília mantendo-se fiel a seus princípios e servindo como contraponto às atitudes de Bruce e de Jason.

Entretanto, a decisão de Johns de colocá-la como affair de Jason é um tanto quanto estranha e quebra o ritmo do momento que os dois dividem neste segundo volume: duas pessoas alquebradas que buscam se apoiar após uma delas ser novamente violentada.

Com isso, fica aqui a minha torcida para que essa decisão não vá pra frente e seja revista no próximo volume.

Conclusão

Batman: Os Três Coringas vol 2 marca de vez o retorno de Geoff Johns ao pátio de brinquedos de Alan Moore depois de O Relógio do Juízo Final. E aqui, como lá, a ideia é a de criar uma continuação de um clássico que até então todos juravam intocável. 

Utilizando elementos de outras histórias clássicas, o roteirista e sua equipe vêm construindo um interessante enredo sobre as tragédias, os traumas e suas consequências, mesmo que pecando em alguns elementos. Todavia, a minissérie vem mostrando pontos altos como a cena do Batman em frente a cela de Joe Chill e ali é possível ver o quanto Bruce é marcado por sua perda. 

Por isso, o melhor a se fazer é manter a mente aberta e aproveitar os bons momentos que o roteirista e sua equipe conseguem produzir. Que mesmo sem ser algo memorável, ainda assim se mostra interessante o suficiente para desejarmos que o terceiro e último volume consiga criar um bonito laço nessa última ponta solta de Johns.

Nota: 3 de 5

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Autor: Thiago de Oliveira

Há mais de duas décadas lendo e colecionando quadrinhos. Tem mais da metade do que gostaria e menos do dobro do que queria ter. Não dispensa um pão de queijo, um café e uma cerveja.

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